Rafale testa IA em voo: o “cérebro” do caça começa a tornar-se variável competitiva

Segundo informou a Reuters no último dia 22 de setembro, a Dassault Aviation realizou testes em voo de dois novos algoritmos de inteligência artificial a bordo do caça Rafale: um desenvolvido pela própria empresa e outro em cooperação com a Thales/cortAIx. Segundo a fabricante francesa, as tecnologias já atingiram nível de maturidade suficiente para serem consideradas em futuras evoluções da aeronave.

Embora as funções específicas dos algoritmos não tenham sido divulgadas, a Dassault afirma que o objetivo é incorporar ao cockpit uma IA controlada e supervisionada, destinada a apoiar a tripulação humana. A iniciativa acompanha uma tendência mais ampla da aviação de combate, na qual a inteligência artificial passa a auxiliar pilotos na interpretação de grandes volumes de informação, na tomada mais rápida de decisões e, progressivamente, na coordenação com aeronaves não tripuladas.

O movimento é relevante porque sugere uma mudança gradual nos próprios fatores de competitividade dos caças modernos.

Desempenho cinemático, radar, armamentos e assinatura continuam fundamentais, mas passam a dividir espaço com outra variável: a capacidade de transformar sensores e dados em compreensão do ambiente operacional e, posteriormente, em decisões.

Nesse contexto, software, fusão de dados e inteligência artificial podem tornar-se componentes cada vez mais importantes da superioridade aérea. É justamente aí que ganha significado o conceito de AI Cognition Superiority: a vantagem poderá não pertencer apenas à força que dispõe de mais sensores ou informações, mas àquela capaz de compreender o espaço de batalha e converter informação em decisão de forma mais rápida e eficaz.

E o Brasil?

Para o Brasil, esse desenvolvimento merece atenção especialmente em razão do programa Gripen. Em 2025, no âmbito do Project Beyond, a Saab realizou testes em voo com um Gripen E no qual o agente de inteligência artificial Centaur, desenvolvido pela Helsing, recebeu o controle da aeronave e executou autonomamente manobras em cenários simulados de combate aéreo BVR (Beyond Visual Range). Em um dos testes, o Gripen E operando com o Centaur foi colocado diante de um Gripen D real, pilotado por humano, permitindo avaliar o comportamento da IA em diferentes distâncias, velocidades e geometrias de aproximação. Um piloto de segurança permaneceu a bordo e podia reassumir o controle da aeronave.

O avanço agora demonstrado pela Dassault com o Rafale reforça, portanto, uma tendência que já começa a aparecer concretamente em diferentes programas de aeronaves de combate. Para a FAB e para a indústria brasileira envolvida no Gripen, áreas como software, fusão de dados, inteligência artificial, autonomia e integração entre aeronaves tripuladas e sistemas não tripulados tendem a assumir importância crescente na evolução tecnológica dos sistemas de combate aéreo.


Fontes:

Reuters — “Dassault Aviation tests AI algorithms on Rafale fighter jet”
https://www.reuters.com/business/aerospace-defense/dassault-aviation-tests-ai-algorithms-rafale-fighter-jet-2026-09-22/

Saab.com – “Saab atinge marco inédito em Inteligência Artificial com o Gripen E”
https://www.saab.com/pt-br/markets/brasil/noticias/2025/saab-atinge-marco-inedito-em-inteligencia-artificial-com-o-gripen-e


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