A Coreia do Norte anunciou neste sábado, 17 de outubro de 2026, a realização de testes de um novo sistema de torpedo que, segundo as autoridades do país, utiliza inteligência artificial para identificação de alvos e orientação durante o ataque. O sistema, denominado Zam-2.0, teria sido testado na quinta-feira, 15 de outubro.
De acordo com a agência estatal Korean Central News Agency (KCNA), o equipamento possui capacidade de deslocamento em alta velocidade e orientação de precisão.
O comunicado também afirma que os sistemas de propulsão foram desenvolvidos ao longo de cinco anos, durante os quais teriam sido realizados mais de 180 testes.
Entretanto, as autoridades norte-coreanas não apresentaram informações técnicas suficientes para esclarecer como a inteligência artificial estaria sendo utilizada. Também não foram divulgados dados independentes que permitam verificar o desempenho operacional do sistema.
As Forças Armadas da Coreia do Sul não haviam comentado o anúncio até a publicação da reportagem da Associated Press.
O teste ocorre em um momento de intensificação das atividades de desenvolvimento de armamentos norte-coreanos, incluindo sistemas de mísseis hipersônicos e capacidades navais.
Nos últimos meses, Pyongyang também afirmou estar incorporando inteligência artificial a determinados sistemas de mísseis.
Especialistas, entretanto, mantêm reservas sobre o grau de sofisticação dessas capacidades e sobre a possibilidade de os equipamentos realmente possuírem funções avançadas de identificação autônoma de alvos.
Portanto, a utilização de inteligência artificial no Zam-2.0 permanece uma alegação do governo norte-coreano, ainda não demonstrada independentemente.
Relevâncias estratégicas e econômicas
O anúncio reforça uma tendência importante no desenvolvimento de armamentos: a incorporação crescente de sistemas de processamento de informações e algoritmos de orientação às plataformas militares.
Em sistemas navais, essas tecnologias podem ser utilizadas para auxiliar na classificação de contatos, interpretação de sinais acústicos e atualização de parâmetros de navegação.
Entretanto, existe uma diferença significativa entre empregar algoritmos avançados de processamento e dispor de sistemas capazes de selecionar e acompanhar alvos de maneira autônoma.
A distinção é importante porque nem toda tecnologia anunciada como inteligência artificial representa efetivamente uma capacidade operacional de autonomia decisória.
O episódio também evidencia como a apresentação pública de novas tecnologias militares pode cumprir objetivos de comunicação estratégica, independentemente do estágio real de maturidade dos sistemas.
Lições para o contexto brasileiro
Para o Brasil, a notícia reforça a importância de acompanhar a evolução tecnológica dos sistemas de guerra antissubmarino e dos armamentos submarinos.
O desenvolvimento de capacidades de processamento embarcado, sensores acústicos e algoritmos de identificação de alvos poderá modificar as características dos futuros sistemas navais.
Também será necessário aprimorar métodos de avaliação e certificação de sistemas que utilizem inteligência artificial em funções críticas.
O desafio não consiste apenas em incorporar IA aos armamentos, mas em determinar quais capacidades são efetivamente demonstráveis, como podem ser verificadas e quais riscos decorrem de sua utilização operacional.
Fonte: Associated Press — 17 de outubro de 2026.
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