Estados Unidos ampliam uso de participação acionária em projetos estratégicos na África

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A U.S. International Development Finance Corporation, principal braço de financiamento ao desenvolvimento do governo norte-americano, pretende ampliar sua utilização de investimentos diretos em participação acionária, inclusive em projetos africanos ligados a minerais críticos.

A DFC já possui mais de US$ 14 bilhões em compromissos de investimento na África, dos quais mais de US$ 3 bilhões estão relacionados direta ou indiretamente a minerais estratégicos. A instituição continua utilizando principalmente dívida, garantias de crédito e seguro contra risco político, mas sua direção afirma que deverá empregar capital próprio com maior frequência quando considerar o projeto especialmente relevante do ponto de vista estratégico.

A agência já está envolvida em projetos de grafite, terras raras e no Corredor do Lobito, infraestrutura destinada a conectar áreas produtoras de cobre e cobalto do interior africano ao Atlântico.

Relevâncias estratégicas e econômicas

Aqui há uma mudança financeira que merece atenção. Quando uma agência pública concede crédito ou garantia, ela reduz riscos para investidores privados. Quando entra diretamente no capital de uma empresa ou projeto, entretanto, o Estado passa a compartilhar o risco empresarial e participar da valorização econômica do ativo.

Isso aproxima a política externa norte-americana de mecanismos típicos de private equity e financiamento de projetos.

A lógica é relativamente clara: determinados empreendimentos de minerais críticos podem ser economicamente promissores, mas apresentar riscos políticos, geológicos ou de execução elevados demais para investidores privados entrarem sozinhos nas fases iniciais.

A participação pública funciona, portanto, como uma espécie de capital catalítico. O movimento também representa uma resposta à presença chinesa na mineração e infraestrutura africanas. Washington procura competir não apenas diplomaticamente, mas oferecendo estruturas financeiras capazes de viabilizar projetos.

Impactos potenciais no contexto brasileiro

O modelo pode interessar bastante ao Brasil porque toca numa questão recorrente em setores estratégicos: quem assume o risco inicial de projetos importantes antes de eles se tornarem plenamente financiáveis?

Minerais estratégicos, defesa, espaço e infraestrutura tecnológica compartilham muitas vezes esse problema.

A experiência da DFC demonstra que bancos públicos e agências de desenvolvimento não precisam limitar-se ao papel de credores ou garantidores. Em determinados contextos, podem participar da estrutura de capital dos projetos e, posteriormente, atrair investidores privados.

Para empresas brasileiras, também vale acompanhar a expansão norte-americana na África, pois ela poderá gerar novas cadeias de suprimento e oportunidades de parceria em mineração, logística, processamento e tecnologia.


Fonte:
Reuters


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