USAF projeta expansão sem precedentes: 1.500+ caças para manter a superioridade aérea global
A revisão mais recente da frota de caças da Força Aérea dos Estados Unidos, encomendada pelo Congresso e divulgada pelo Breaking Defense, apontou uma necessidade crescente de ampliação da capacidade de combate aérea. Segundo o relatório, serão exigidos até 1.558 jatos prontos para combate na próxima década — cerca de 300 a mais que o inventário projetado para o ano fiscal de 2026. O documento, assinado pelo Secretário da Força Aérea, Troy Meink, cumpre exigência legal e, embora não solicite formalmente novos recursos, deixa clara a intenção de alertar legisladores sobre a urgência de investimentos adicionais diante das crescentes ameaças globais.
O plano é ambicioso e enfrenta desafios significativos. A Força Aérea prevê atingir 1.369 aeronaves no início da década de 2030, mas reconhece que a modernização e a substituição de aeronaves obsoletas podem dificultar o ritmo de produção necessário. O foco central permanece na incorporação de caças de quinta geração e em novas tecnologias de combate, de modo a garantir que apenas aeronaves com plena capacidade operacional componham a frota. Essa diretriz reflete o compromisso dos EUA em manter sua superioridade aérea diante da rápida modernização das forças de países rivais.
Nesse contexto, a ampliação da frota dependerá do aumento da produção dos caças F-15EX e F-35A, considerados pilares da estratégia de curto e médio prazo. A Boeing deverá atingir uma produção anual de até 24 unidades do F-15EX até 2027, podendo chegar a 36 com novos investimentos, enquanto estão previstos 129 exemplares do modelo até 2030. Já a Lockheed Martin pretende elevar a fabricação do F-35A para 100 unidades anuais até o fim da década, consolidando-o como “a base da estrutura de caças da USAF”. Apesar de atrasos em atualizações de hardware e software, o programa continua sendo o principal vetor tecnológico da força.
O relatório também destaca o avanço do caça de sexta geração F-47, desenvolvido pela Boeing dentro do programa Next Generation Air Dominance (NGAD). Considerado prioridade máxima em modernização, o F-47 deverá operar em conjunto com drones de combate colaborativos (Collaborative Combat Aircraft – CCA), marcando o início de uma nova era na guerra aérea. O documento não apresenta metas de aquisição imediatas, mas prevê o início das linhas de produção “em breve”, com o F-22 servindo como plataforma de transição para integração desses sistemas autônomos.
Outro ponto relevante é a reestruturação da frota, com a retirada de aeronaves antigas. O plano prevê a desativação completa dos A-10 Thunderbolt II até o final de 2026 e a redução de versões antigas do F-22 Block 20, medida que já provoca questionamentos no Congresso. A Força Aérea garante, contudo, a manutenção da Guarda Nacional Aérea, que continuará operando 24 esquadrões equipados com versões modernizadas de F-15, F-16 e F-35 até pelo menos 2045. Já a Reserva Aérea adaptará suas unidades de A-10 e F-16 para funções de apoio e compartilhamento de equipamentos.
Por fim, o relatório reforça a necessidade de investimentos em manutenção e treinamento, apontando um déficit anual de US$ 400 milhões no fundo de manutenção de sistemas de armas. O aumento das horas de voo das tripulações é considerado essencial para garantir prontidão operacional, embora ainda sem previsão orçamentária específica. A meta de 1.558 caças será complementada por drones de combate, mas o texto deixa claro que estes não substituirão as aeronaves tripuladas. A estratégia de longo prazo da Força Aérea é combinar plataformas humanas e autônomas em um ecossistema integrado de combate, assegurando a dominância aérea dos Estados Unidos até meados do século XXI.
Fonte: Breaking Defense
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