A indústria de defesa sueca conquistou um novo marco nesta semana. Segundo notícias do Global Business Press, o governo da Suécia confirmou a assinatura de um contrato para a venda de quatro caças Gripen, fabricados pela Saab, à Tailândia. O acordo, avaliado em 5,3 bilhões de coroas suecas (cerca de 500 milhões de dólares), prevê entregas graduais entre 2025 e 2030 e inclui três unidades do Gripen E e uma do Gripen F, acompanhadas de equipamentos de apoio, serviços de manutenção e treinamento especializado.
O CEO da Saab, Micael Johansson, ressaltou que a Tailândia, já usuária consolidada da plataforma Gripen C/D, amplia sua confiança no modelo ao apostar na nova geração do caça multifuncional. “A Tailândia escolheu o caça mais moderno do mercado para construir sua próxima geração de capacidades estratégicas e independentes”, afirmou Johansson. A decisão reforça o papel do Gripen como vetor de soberania operacional em países que buscam reduzir dependências externas em sistemas de defesa.
Mais do que a simples aquisição, o contrato envolve um pacote robusto de compensações industriais. A Saab firmou compromisso com a Força Aérea Real Tailandesa para a transferência significativa de tecnologia, estímulo à cooperação em projetos conjuntos e atração de novos investimentos em setores estratégicos da economia local. Essa cláusula de offset é central para o modelo de negócios da indústria de defesa contemporânea, pois amplia não apenas o valor econômico do contrato, mas também o impacto no desenvolvimento tecnológico do país comprador.
Do ponto de vista estratégico, a Tailândia fortalece sua posição regional ao integrar os novos Gripen E/F ao seu atual esquadrão de Gripen C/D. A interoperabilidade entre as versões garante não apenas continuidade operacional, mas também um salto qualitativo em capacidades de defesa aérea, vigilância e superioridade regional. Para a Saab, o acordo consolida a presença da empresa no Sudeste Asiático e reforça a competitividade da plataforma Gripen em um mercado global marcado pela disputa com gigantes como os F-35 norte-americanos e o Rafale francês.
A transação evidencia uma tendência cada vez mais clara: programas de aquisição de caças não se resumem à compra de aeronaves, mas envolvem arranjos complexos de financiamento, industrialização e transferência de conhecimento. Para países emergentes, como o Brasil e a própria Tailândia, esse modelo pode representar não apenas a modernização de suas Forças Armadas, mas também um catalisador para inovação tecnológica e atração de investimentos de longo prazo.
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