O artigo “Creating a Modernized Defense Technology Frontier“, publicado pela McKinsey em 12 de fevereiro de 2025, aborda a transformação do ecossistema de defesa diante de tensões geoeconômicas e ameaças à segurança global. O texto destaca que, para modernizar as capacidades de defesa, é essencial um investimento significativo e coordenado entre os setores público e privado, especialmente em tecnologias emergentes como inteligência artificial (IA) e computação quântica.
Governos de diversas nações têm aumentado seus investimentos em inovação tecnológica para defesa. Por exemplo, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) lançou um fundo de €1 bilhão para investir em tecnologias de ponta, enquanto os Estados Unidos destinaram mais de US$150 bilhões para pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação no ano fiscal de 2024. Esses esforços visam acelerar a adoção de tecnologias disruptivas e fortalecer a segurança nacional.
O setor privado também tem desempenhado um papel crucial nesse cenário. Em 2024, investimentos de capital de risco em empresas relacionadas à defesa alcançaram US$31 bilhões globalmente, com destaque para áreas como IA, redes de comunicação de próxima geração e sistemas autônomos. Essa mobilização de recursos privados complementa os investimentos governamentais e impulsiona a inovação no setor de defesa.
Desafios para o Brasil na adoção dessa abordagem
Embora o Brasil reconheça a importância da inovação tecnológica na defesa, enfrenta desafios significativos para implementar uma abordagem semelhante. Historicamente, o país tem investido em políticas de apoio à inovação, como a criação de fundos setoriais e a promulgação da Lei de Inovação. No entanto, esses esforços resultaram em avanços modestos quando comparados a nações com sistemas de inovação mais maduros. Em 2014, por exemplo, o investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil representava apenas 0,58% do PIB, enquanto nos Estados Unidos esse percentual era de 1,96%.
Um dos principais obstáculos é a fragmentação e a escala limitada dos projetos de P&D no país. Muitos investimentos são distribuídos em iniciativas isoladas, sem a massa crítica necessária para gerar impactos significativos. Além disso, há uma carência de infraestrutura laboratorial de ponta e de mecanismos institucionais que promovam a colaboração efetiva entre o setor público, a iniciativa privada e instituições de pesquisa.
“Um dos principais obstáculos é a fragmentação e a escala limitada dos projetos de P&D no país. Muitos investimentos são distribuídos em iniciativas isoladas, sem a massa crítica necessária para gerar impactos significativos.”
Outro desafio relevante é a burocracia e a rigidez do ambiente institucional brasileiro, que muitas vezes dificultam a agilidade necessária para a implementação de projetos inovadores. A falta de um ambiente regulatório favorável e de incentivos claros para o investimento privado em tecnologias de defesa limita o potencial de desenvolvimento do setor.
Para que o Brasil possa abraçar efetivamente a abordagem delineada no artigo da McKinsey, é imperativo reavaliar e reformular suas políticas de inovação. Isso inclui a criação de programas de P&D orientados a resultados concretos, o fortalecimento da infraestrutura científica e tecnológica, e a promoção de um ambiente regulatório mais flexível e estimulante para investimentos em defesa. Somente com essas medidas será possível posicionar o país na vanguarda da inovação tecnológica em defesa e segurança.
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