Em recente artigo da Forbes Brasil, de título “JP Morgan Alerta Que Terceira Guerra Mundial ‘Já Começou’ e Empresas Precisam Estar Atentas“, afirma-se que o CEO daquela instituição, Jamie Dimon, declarou em um evento que um conflito global já se iniciou e que o risco é “extraordinário”.
Além de ser uma afirmação, de fato, alarmante, as colocações do JP Morgan presentes no artigo refletem um sentimento de que o mundo corporativo precisa estar atento às novas dinâmicas geopolíticas, em especial diante da escalada de tensões globais que, na visão da instituição financeira, assemelham-se ao início de um conflito de escala mundial. Esse tipo de análise não é comum vindo de grandes bancos tradicionalmente focados em projeções econômicas e de mercado, o que chama atenção para a gravidade com que enxergam o cenário atual.
Ao associar o atual contexto geopolítico a uma “Terceira Guerra Mundial” em curso, o JP Morgan sinaliza que as empresas não podem mais ignorar a política internacional e os riscos que emergem de conflitos localizados que tendem a se espalhar ou afetar cadeias produtivas globais. Esse alerta indica que, para além de oscilações cambiais, juros e inflação, o fator “risco geopolítico” deve ganhar peso igual ou superior a variáveis clássicas na análise estratégica e no planejamento de longo prazo.
Outro ponto importante é a sugestão de que a globalização, tal como conhecemos, está em mutação: tensões entre potências, políticas protecionistas e conflitos regionais podem fragmentar o comércio mundial, reduzir a cooperação econômica e levar a restrições logísticas, tecnológicas e de fornecimento de insumos essenciais. Assim, empresas com exposição internacional precisam se preparar para cenários de ruptura de cadeias de suprimentos, pressões por nacionalização de setores estratégicos e rearranjo dos fluxos comerciais.
Em última análise, as ponderações do JP Morgan destacadas pelo artigo servem como um lembrete de que o ambiente global deixou de ser estável e previsível: há necessidade de analisar tendências que outrora ficariam no campo dos “estudos geopolíticos” e incorporá-las nas avaliações de investimento, riscos e oportunidades de negócio. Embora seja discutível afirmar que já estamos em plena Terceira Guerra Mundial, a advertência do JP Morgan evidencia o quão seriamente o setor financeiro considera a possibilidade de um cenário de conflito global com reflexos diretos no mundo corporativo.
E como as empresas podem mitigar as implicações desse cenário?
Evidentemente, há uma infinidade de ações de gestão de riscos que podem (e devem?) ser tomadas, com diferentes graus de efetividade, de custos e de tempo de implementação. De todo modo, algumas iniciativas, ao menos em tese, já podem ser tomadas pelas empresas, entre as quais destacam-se:
1. Redundância e Diversificação de Fornecedores:
As empresas devem minimizar a dependência excessiva de um único país ou fornecedor para materiais e componentes críticos. Ter uma lista de fornecedores alternativos, incluindo fornecedores locais e regionais, pode garantir continuidade operacional mesmo em cenários de ruptura geopolítica.
2. Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D):
Focar em P&D, in company ou não, para criar (ou ter participação em) produtos e serviços tecnologicamente mais avançados, autossuficientes e adaptáveis a novas realidades. Isso aumenta a robustez do portfólio e reduz a vulnerabilidade às mudanças de cenário.
3. Reforço na Segurança Cibernética:
Ampliar investimentos em cibersegurança: atualizar sistemas, realizar testes de penetração, implantar criptografia avançada, implantar redundância de sistemas, implementar backups confiáveis e monitorar vulnerabilidades em tempo real. Num ambiente geopoliticamente tenso, a defesa e a resiliência contra ameaças digitais torna-se prioritária.
4. Planejamento de Cenários e Gestão de Riscos:
Desenvolver e manter equipes dedicadas à análise de inteligência geopolítica, bem como atualizar regularmente planos de contingência. Isso inclui exercícios simulados (war games) para testar a reação da empresa a interrupções em cadeias de suprimento ou ataques cibernéticos.
5. Construção de Ecossistemas de Parcerias:
Fortalecer relações com outras empresas, institutos de pesquisa e think tanks a fim de compartilhar conhecimento, tendências tecnológicas e informações sobre riscos. Parcerias estratégicas com firmas de consultoria em segurança e fornecedores de soluções tecnológicas de ponta podem ajudar a empresa a antecipar problemas e reagir com agilidade.
6. Conformidade e Gestão de Crises:
Implementar políticas internas claras para lidar com eventuais crises relacionadas a conflitos internacionais. Ter protocolos de tomada de decisão ágeis, equipe de crise bem treinada e canais de comunicação interna e externa efetivos contribui para uma resposta coesa a ameaças emergentes.
7. Comunicação Transparente com Stakeholders:
Manter diálogo contínuo e transparente com investidores, clientes, parceiros e colaboradores sobre riscos geopolíticos e medidas preventivas adotadas. Isso ajuda a construir confiança e a legitimar esforços de segurança e preparação.
Resumindo…
Diante de todo o exposto, é fundamental perceber que as empresas precisam transcender o foco puramente financeiro ou produtivo, incorporando ativamente a análise de riscos geopolíticos em sua gestão estratégica. A diversificação de insumos, o investimento em tecnologia e segurança, a inteligência de mercado e o alinhamento com parceiros e stakeholders são passos básicos, porém fundamentais, para garantir resiliência e competitividade nesse novo cenário.
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