Arábia Saudita avança na nacionalização de produtos de defesa

Segundo nos informa matéria da BreakingDefense, a Arábia Saudita revelou recentemente avanços significativos em sua busca pela nacionalização da produção de defesa, alcançando quase 20% de localização até o final de 2023, um aumento em relação aos 4% de 2018, enquanto persegue a meta ambiciosa de 50% até 2030.

A Autoridade Geral de Indústrias Militares (GAMI) “emitiu muitas políticas e legislações que regulam e estimulam o setor e aumentam a competitividade do produto local, o que elevou a taxa de localização de 4% em 2018 para 19,35% no final do ano passado dos gastos militares”, disse Ahmad Abdulaziz Al-Ohali, chefe da GAMI, durante uma sessão de diálogo no Fórum de Conteúdo Local.

Al-Ohali acrescentou que o número de instalações autorizadas e licenciadas no setor de indústrias militares aumentou de cinco em 2019 para 296 até o terceiro trimestre de 2024.

“A Autoridade [GAMI] trabalhou para assinar mais de 53 programas de cooperação industrial no valor de aproximadamente 35 bilhões de riais [US$ 9,32 bilhões] com empresas locais e internacionais, incluindo aproximadamente 13 bilhões de riais [US$ 3,46 bilhões] em pedidos de compra para empresas locais”, afirmou Al-Ohali.

Esses esforços fazem parte da Visão 2030 da Arábia Saudita, que visa diversificar a economia do país e reduzir a dependência do petróleo, com a nacionalização da produção de defesa sendo um componente-chave dessa estratégia.

A GAMI também implementou iniciativas para desenvolver capacidades locais, incluindo programas de treinamento e parcerias com instituições acadêmicas para promover a pesquisa e o desenvolvimento no setor de defesa.

Além disso, a GAMI estabeleceu parcerias com empresas internacionais para transferir tecnologia e conhecimento para o Reino, fortalecendo ainda mais a base industrial de defesa local.

Essas medidas demonstram o compromisso da Arábia Saudita em alcançar a autossuficiência no setor de defesa e em se tornar um ator significativo no mercado global de defesa.

Lições para o Brasil? As de sempre…

O avanço da Arábia Saudita na nacionalização da produção de defesa oferece lições valiosas ao Brasil, especialmente no que se refere à definição de metas claras e planejamento estratégico. Assim como os sauditas estabeleceram um objetivo ambicioso de atingir 50% de nacionalização até 2030, o Brasil poderia adotar metas específicas e mensuráveis, alinhadas com a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED). Essas metas, associadas a um plano de longo prazo, podem fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, aumentando a participação local em programas estratégicos.

Além disso, a implementação de políticas regulatórias e incentivos foi essencial para o sucesso saudita e é igualmente importante para o Brasil. Revisar e aperfeiçoar o marco regulatório para as indústrias de defesa, além de oferecer incentivos fiscais e financiamento competitivo, pode impulsionar a competitividade e inovação no setor. Essa abordagem deve ser combinada com programas de compensação (offset) robustos, que garantam que compras governamentais fomentem o desenvolvimento de tecnologia nacional e fortaleçam a cadeia de suprimentos.

Parcerias público-privadas e cooperações internacionais são outro elemento essencial. A Arábia Saudita utilizou acordos com empresas estrangeiras para transferir tecnologia e aumentar a capacidade local, um modelo que o Brasil já aplica parcialmente em projetos como o Gripen e os submarinos nucleares. Expandir essas parcerias, especialmente em setores emergentes como inteligência artificial, robótica e cibersegurança, pode posicionar o Brasil como protagonista global no mercado de defesa, além de gerar impactos econômicos positivos.

O investimento em formação de mão de obra qualificada e pesquisa científica também é fundamental. Assim como a Arábia Saudita desenvolveu programas educacionais em colaboração com universidades, o Brasil deve intensificar a integração entre a BID e instituições acadêmicas para capacitar profissionais e fomentar a inovação tecnológica. A criação de centros de excelência em tecnologias de defesa pode acelerar esse processo e preparar o país para competir internacionalmente.

Por fim, o exemplo saudita mostra a importância de uma visão estratégica de longo prazo. O Brasil pode aproveitar sua experiência em projetos de sucesso, como o KC-390 e os sistemas ASTROS, para diversificar sua economia e reduzir dependências externas. Promover políticas que incentivem a exportação de produtos de defesa e que consolidem a BID como motor de desenvolvimento econômico pode transformar o setor em um pilar estratégico da soberania e da prosperidade nacional.



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